Lacunas de desempenho: por que 50% dos líderes recém-promovidos falham nos primeiros 18 meses

Juliana era a melhor analista de marketing da empresa. Criativa, organizada, sempre entregava projetos impecáveis. Quando a vaga de coordenadora abriu, a promoção foi natural.

Seis meses depois, dois membros da equipe pediram transferência. Os projetos começaram a atrasar. Juliana, que antes brilhava, agora parecia perdida, sobrecarregada e frustrada.

O que aconteceu?

Juliana caiu numa armadilha que afeta a maioria das empresas: as lacunas de desempenho na transição de carreira.

O que são lacunas de desempenho

Ram Charan, no clássico “Pipeline de Liderança”, define lacunas de desempenho como a diferença entre as competências que alguém possui e as que precisa para ter sucesso no novo nível hierárquico.

Esse é um dos teóricos que embasam meu trabalho de mentoria, porque traduz com clareza como cada transição exige não apenas novas competências, mas também o desapego de velhos hábitos que já não servem.

Não é falta de capacidade. É falta de preparação para uma realidade completamente diferente.

A matemática é cruel: estudos mostram que 50% dos líderes recém-promovidos falham nos primeiros 18 meses, seja por contratação externa ou promoção interna.

Por que as lacunas se abrem na promoção

1. Mudança radical de foco

  • Antes: Entregar seu próprio trabalho com excelência
  • Agora: Garantir que outros entreguem com excelência

2. Novas competências exigidas

  • Antes: Competência técnica era suficiente
  • Agora: Soft skills se tornam determinantes

3. Pressão sem preparo

  • Antes: Responsabilidade individual
  • Agora: Responsabilidade por resultados de terceiros

4. Mudança de relacionamentos

  • Antes: Colega de trabalho
  • Agora: Pessoa que avalia performance

Juliana descobriu isso da pior forma: continuou trabalhando como analista, mas agora “coordenando” outros analistas. Resultado? Microgerenciamento, equipe desmotivada e ela exausta.

As 5 lacunas mais comuns em líderes recém-promovidos

1. Lacuna de Delegação

O problema: Continuar fazendo tudo sozinho por não confiar na equipe ou não saber como delegar efetivamente.

Sinais: Líder sobrecarregado, equipe ociosa, gargalos constantes.

2. Lacuna de Comunicação

O problema: Não saber como dar feedback, conduzir reuniões produtivas ou comunicar expectativas claras.

Sinais: Conflitos frequentes, mal-entendidos, pessoas “adivinhando” o que precisa ser feito.

3. Lacuna de Desenvolvimento de Pessoas

O problema: Focar apenas em resultados, sem saber como desenvolver o potencial da equipe.

Sinais: Rotatividade alta, pessoas estagnadas, falta de sucessão.

4. Lacuna de Visão Estratégica

O problema: Continuar pensando operacionalmente quando o cargo exige visão de médio e longo prazo.

Sinais: Equipe reativa, falta de planejamento, “apagar incêndios” constante.

5. Lacuna de Inteligência Emocional

O problema: Não saber lidar com as próprias emoções e as da equipe sob pressão.

Sinais: Clima tenso, decisões impulsivas, conflitos mal resolvidos.

Liderança não é um talento nato. É um processo de aprendizagem contínua. Como lembra o historiador E. P. Thompson ao falar sobre o ‘fazer-se’, também o líder se constrói no exercício diário de assumir responsabilidades, aprender a delegar, dar feedbacks, planejar estrategicamente e sustentar relacionamentos de confiança.

O custo de ignorar essas lacunas

Para a empresa:

  • Rotatividade: Perda de talentos que saem por má liderança
  • Produtividade: Queda na performance da equipe
  • Clima: Deterioração do ambiente organizacional
  • Custos: Recontratação, retrabalho, perda de oportunidades

Para o líder:

  • Confiança abalada: Síndrome do impostor e insegurança
  • Estresse elevado: Sobrecarga emocional e física
  • Carreira em risco: Possível rebaixamento ou demissão
  • Relacionamentos: Deterioração com a equipe e pares
lacunas de desempenho

Primeiros 90 dias: Diagnóstico

  • Mapeie as competências atuais vs. necessárias
  • Identifique as 3 lacunas mais críticas
  • Defina um plano de desenvolvimento personalizado

60 dias seguintes: Desenvolvimento intensivo

  • Treinamentos específicos nas competências prioritárias
  • Mentoria personalizada com especialistas em desenvolvimento de liderança
  • Prática supervisionada de novas habilidades através de programas estruturados

30 dias finais: Consolidação

  • Feedback 360° para avaliar progresso
  • Ajustes no plano conforme necessário
  • Estabelecimento de acompanhamento contínuo

Sinais de que sua empresa precisa agir

❌ Líderes recém-promovidos “se viram sozinhos”
❌ Treinamento de liderança acontece meses após a promoção
❌ Alta rotatividade em equipes com líderes novos
❌ Conflitos frequentes entre líder e equipe
❌ Queda de performance após promoções
❌ Líderes que voltaram para funções técnicas

O papel estratégico do RH e da Liderança

O desenvolvimento de líderes não pode ser visto apenas como responsabilidade do RH. Ele é um trabalho de parceria, que envolve também a visão estratégica da empresa e, principalmente, a intencionalidade de líderes que formam sucessores.

Um dos maiores gargalos das organizações está justamente na ausência de clareza sobre esse fluxo de formação: líderes que formam outros líderes, que depois estão preparados para assumir posições cada vez maiores.

O líder direto, que está no dia a dia da operação, tem a maior clareza sobre o potencial da equipe. É ele quem pode criar oportunidades práticas para preparar sucessores: delegar projetos estratégicos, estimular a condução de reuniões, oferecer feedbacks em grupo, incentivar a tomada de decisão. Essas experiências concretas são tão importantes quanto qualquer treinamento formal.

Etapas para estruturar o desenvolvimento de liderança:

Antes da promoção:

  • Identificar potenciais líderes com antecedência
  • Criar trilhas de desenvolvimento pré-liderança
  • Estabelecer critérios claros além da competência técnica

Durante a transição:

  • Programa estruturado de onboarding para líderes
  • Mentoria especializada em desenvolvimento comportamental
  • Acompanhamento semanal nos primeiros 90 dias com foco em soft skills

Após a promoção:

  • Avaliações regulares de performance
  • Desenvolvimento contínuo de soft skills
  • Planejamento de sucessão para próximos níveis

A transformação de Juliana

Voltando à nossa história: Juliana não precisava falhar.

Com o trabalho de mentoria desenvolvido na Mentoria Lidera, Júlia conseguiu identificar suas forças e foi estimulada a se reconectar com elas. Sua autoestima já estava fragilizada, e esse resgate foi essencial para fortalecer sua crença de identidade como líder.

Além disso, ela ganhou clareza sobre as habilidades que já possuía e sobre aquelas que precisaria desenvolver para sustentar o novo nível de liderança. Com o apoio que encontrou na minha mentoria, encontrou um método estruturado para avançar nesse processo: técnicas para dar feedbacks construtivos, práticas de delegação de qualidade e estratégias para confiar mais na equipe, deixando para trás o microgerenciamento e vibrando com os sucessos coletivos.

Essa combinação de autoconhecimento, clareza e prática devolveu à Júlia não apenas confiança, mas também a capacidade de liderar com mais segurança, presença e impacto.

Resultado? Em 6 meses, sua equipe se tornou uma das mais produtivas da empresa. Juliana não apenas se tornou uma líder competente, se tornou uma multiplicadora de talentos.

Conclusão

Lacunas de desempenho não são falhas pessoais. São gaps previsíveis que podem ser fechados com estratégia e desenvolvimento adequado.

A pergunta não é se essas lacunas vão aparecer, é se sua empresa vai estar preparada para fechá-las.

Porque quando você desenvolve líderes de forma intencional, não está apenas salvando promoções. Está construindo o futuro da organização.


Precisa desenvolver líderes que realmente performam? Conheça nossos programas de mentoria e desenvolvimento comportamental que transformam lacunas em competências sólidas. Saiba mais sobre nossas soluções corporativas.

 

Referências

NAWAZ, Sabina. “The Biggest Mistakes New Executives Make”. Harvard Business Review, 15 maio 2017.

AVENUE LEADERSHIP CONSULTING. “Executive transition failure: causes and solutions”.

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Aldenira Mota

Especialista em habilidades comportamentais, liderança e soft skills.

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Os 4 perfis comportamentais e a saúde psicossocial da equipe Uma das ferramentas mais eficazes para compreender o impacto do comportamento do líder no ambiente de trabalho é a metodologia DISC, desenvolvida pelo psicólogo americano William Moulton Marston e amplamente utilizada no desenvolvimento organizacional. O DISC descreve quatro tendências comportamentais predominantes: Dominância (D), Influência (I), Estabilidade (S) e Conformidade (C). Cada perfil, quando em posição de liderança, gera dinâmicas específicas que podem tanto proteger quanto comprometer a saúde psicossocial da equipe. O líder com perfil Dominante tende a criar ambientes de alta pressão e foco em resultados. Quando desenvolvido, esse perfil gera clareza de expectativas e direcionamento. Quando não desenvolvido, pode criar sobrecarga, cultura de medo e ausência de espaço para o erro. O líder com perfil Influente tende a criar ambientes de alta energia e colaboração. Quando desenvolvido, gera engajamento e senso de pertencimento. Quando não desenvolvido, pode criar inconsistência, falta de estrutura e dificuldade de sustentar compromissos ao longo do tempo. O líder com perfil Estável tende a criar ambientes de harmonia e previsibilidade. Quando desenvolvido, gera segurança e lealdade na equipe. Quando não desenvolvido, pode criar estagnação, resistência passiva a mudanças necessárias e conflitos que nunca chegam a ser resolvidos. O líder com perfil Conforme tende a criar ambientes de alto padrão e rigor técnico. Quando desenvolvido, gera qualidade e confiança nos processos. Quando não desenvolvido, pode criar rigidez, excesso de crítica e dificuldade de adaptação diante do erro humano. Nenhum perfil é intrinsecamente mais saudável do que outro. O que diferencia um líder de alto impacto positivo não é o perfil em si, mas o nível de consciência e desenvolvimento sobre esse perfil. Para aprofundar o tema dos perfis comportamentais na liderança, leia o artigo Os 4 Perfis Comportamentais na Liderança: Como Identificar e Liderar Cada Um ou assista ao vídeo no canal do YouTube. O que as empresas precisam fazer além do mapeamento Muitas organizações interpretam o cumprimento da NR-01 como um exercício de documentação: mapear os riscos, registrar as ações, arquivar o relatório. Isso cumpre a letra da norma. Mas não resolve o problema. O mapeamento é o ponto de partida. O que vem depois é o que de fato protege as pessoas e a organização. A partir do diagnóstico de riscos psicossociais, as empresas precisam implementar

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O modelo DISC organiza os comportamentos em quatro tendências principais: Dominância (D), Influência (I), Estabilidade (S) e Conformidade (C). Cada pessoa tem uma combinação única desses perfis, com um ou dois predominando dependendo do contexto. Compreender esses perfis não significa rotular as pessoas da equipe. Significa entender como cada uma precisa ser abordada para que a comunicação seja mais eficaz e a liderança, mais humanizada. Assista ao vídeo sobre perfis comportamentais e liderança no meu canal do Youtube. Clique aqui. Perfil 1: Dominante (D) O perfil Dominante é caracterizado por objetividade, foco em resultados e pensamento orientado para ação. Pessoas com esse perfil preferem comunicações diretas, tomam decisões com rapidez e têm baixa tolerância para processos lentos ou informações que não chegam ao ponto. Como esse perfil se comporta na equipe: Como liderar alguém com perfil Dominante: Seja direto. Esse perfil valoriza objetividade acima de tudo. Apresente os resultados esperados com clareza, dê autonomia para a execução e evite explicações longas antes de chegar ao ponto principal. Ofereça desafios reais. O Dominante perde o engajamento em ambientes onde não vê progresso ou onde suas capacidades não são aproveitadas. Proponha metas ambiciosas e dê a ele espaço para mostrar como vai chegar lá. Perfil 2: Influente (I) O perfil Influente é comunicativo, entusiasta e naturalmente sociável. Pessoas com esse perfil têm facilidade para construir relacionamentos, motivar grupos e criar ambientes de colaboração. Tendem a pensar de forma criativa e trazem energia alta para projetos novos. Como esse perfil se comporta na equipe: Como liderar alguém com perfil Influente: Reconhecimento é combustível para esse perfil. Celebre conquistas, dê visibilidade ao trabalho bem feito e mantenha abertura para a troca de ideias. Para ajudar no foco, estabeleça prioridades claras e check-ins regulares. Não como controle, mas como estrutura de apoio para que o entusiasmo se transforme em entrega consistente. Conheça o Curso de Comunicação AA, desenvolvido para líderes que querem se comunicar de forma afetiva e assertiva com diferentes perfis. Perfil 3: Estável (S) O perfil Estável é paciente, leal e altamente colaborativo. Pessoas com esse perfil valorizam a harmonia do ambiente, preferem rotinas previsíveis e têm grande capacidade de sustentar relacionamentos de longo prazo. São os pilares silenciosos de muitas equipes. Como esse perfil se comporta na equipe: Como liderar alguém com perfil Estável: Mudanças devem, sempre que possível, ser comunicadas com antecedência e com contexto. Explique o porquê, dê tempo para adaptação e mantenha-se disponível para dúvidas. Crie espaços seguros para que esse perfil se posicione. O Estável raramente se queixará em público, mas carrega muito internamente. Um check-in individual regular pode revelar informações que nenhuma pesquisa de clima vai capturar. Leia o artigo “Da Intenção ao Impacto: como alinhar o que você diz com o que a equipe realmente entende” Perfil 4: Conforme (C) O perfil Conforme é analítico, detalhista e orientado para qualidade. Pessoas com esse perfil precisam de dados, processos claros e tempo suficiente para processar informações antes de tomar decisões. São excelentes em identificar riscos e garantir a qualidade da entrega. Como esse perfil se comporta na equipe: Como liderar alguém com perfil Conforme: Seja específico. Feedbacks como “precisa melhorar” não chegam para esse perfil. Forneça dados, exemplos concretos e critérios objetivos de avaliação. Respeite o tempo de processamento. Decisões importantes não devem ser solicitadas em reuniões surpresa. Sempre que possível, envie as informações com antecedência para que o Conforme chegue à conversa preparado e seguro para decidir. Como aplicar os perfis comportamentais na prática da liderança Conhecer os quatro perfis é apenas o primeiro passo. A transformação acontece quando o líder aprende a adaptar o próprio estilo de comunicação de acordo com quem está na frente. Isso não significa não ser autêntico. Significa ampliar o repertório. Um líder que sabe se comunicar de forma objetiva com um Dominante, reconhecer publicamente um Influente, dar segurança a um Estável e fornecer dados precisos para um Conforme não está mudando quem é. Está usando linguagens diferentes para chegar em pessoas diferentes. Uma prática simples para começar: antes de uma conversa difícil ou de uma reunião importante, pergunte-se qual é o perfil predominante da pessoa com quem você vai falar. E ajuste a abordagem. E o seu próprio perfil? Existe uma dimensão do DISC que poucos líderes exploram com profundidade: o impacto do próprio perfil na forma como lideram. Um líder Dominante pode ter dificuldade em dar espaço para perfis Estáveis. Um líder Conforme pode frustrar um Influente com excesso de processos. Um líder Influente pode parecer superficial para um Conforme. O autoconhecimento não é um tema de retiro espiritual. É uma ferramenta de gestão. Quando o líder conhece seu próprio perfil, ele passa a entender não apenas como age, mas por que age assim. E de que forma esse comportamento afeta cada pessoa da equipe de maneira diferente. No livro Liderança que Move, essa conexão entre autoconhecimento e liderança eficaz é trabalhada de forma prática, com ferramentas que o líder pode aplicar no dia seguinte ao treinamento. Clique aqui e conheça o livro Liderança que Move. O erro mais comum ao usar perfis comportamentais Existe um risco real no uso dos perfis

comunicação do líder com a equipe

Da Intenção ao Impacto: Como alinhar o que você diz com o que a Equipe realmente entende

Existe uma cena que se repete em quase todas as organizações, independentemente do setor, do tamanho ou do nível de maturidade da liderança. O líder sai de uma reunião convicto de que foi claro. Ele explicou o que precisava ser feito, definiu a prioridade, deixou espaço para perguntas. O time saiu da sala. E quando o resultado chegou, era diferente do que ele esperava. Não completamente diferente. Às vezes, ligeiramente diferente. Mas diferente o suficiente para gerar retrabalho, frustração e aquela sensação incômoda de que “precisamos alinhar melhor”. O que aconteceu ali não foi falta de boa vontade. Não foi incompetência. Foi o gap entre intenção e impacto: a distância entre o que o líder quis dizer e o que a equipe realmente entendeu. Esse gap existe em praticamente todas as relações de liderança. O que muda é o quanto ele é reconhecido, trabalhado e reduzido ao longo do tempo. Por que a comunicação do líder quase sempre chega diferente Quando um líder se comunica com a equipe, ele parte de um conjunto de informações, contextos, prioridades e pressões que a maioria dos colaboradores não tem acesso pleno. Ele sabe por que aquela decisão foi tomada, qual é o cenário que motivou aquela mudança de rota, o que está em jogo além do que foi dito em reunião. Mas a mensagem que sai raramente carrega todo esse contexto. E a mensagem que chega, então, carrega ainda menos. No caminho entre o que o líder fala e o que o colaborador entende, há pelo menos três filtros que distorcem o sinal. O primeiro é o filtro do contexto. Cada pessoa interpreta o que ouve a partir das experiências que já viveu, das referências que tem e das expectativas que carrega. A mesma instrução pode ser lida como confiança por uma pessoa e como abandono por outra, dependendo de como cada uma processa autonomia e suporte. O segundo é o filtro emocional. O tom com que uma mensagem é dita, o momento em que é dita e o histórico de relacionamento entre líder e colaborador influenciam profundamente a forma como ela é recebida. Uma cobrança feita no momento errado, mesmo que justa no conteúdo, pode ser ouvida como ataque. Um elogio genérico, mesmo que sincero, pode ser ouvido como indiferença. O terceiro é o filtro do perfil comportamental. Pessoas com perfis diferentes processam informações de formas muito distintas. O que para um perfil soa como clareza pode soar como pressão para outro. O que para um perfil é autonomia pode ser lido como falta de suporte por outro. A mesma palavra, no mesmo tom, dita pela mesma pessoa, pode gerar interpretações completamente opostas dependendo de quem a recebe. O líder que não considera esses filtros comunica para si mesmo, não para a equipe. O custo invisível do desalinhamento Quando a comunicação chega diferente do que foi enviada, o custo raramente aparece de forma imediata e visível. Ele se acumula. O colaborador entende a tarefa de um jeito e entrega de outro. O líder corrige, reexplica, ajusta. O ciclo se repete. Com o tempo, a energia gasta em retrabalho normaliza um padrão que consome muito mais do que qualquer reunião de alinhamento já consumiria se tivesse sido bem conduzida desde o começo. Mas há um custo ainda mais profundo: o custo humano. Quando as pessoas sentem que são frequentemente mal entendidas pelo líder, ou que não conseguem entender o que ele espera delas, o engajamento cai. A sensação de incompetência, mesmo que injusta, se instala. A proatividade diminui porque o custo de errar parece maior do que o benefício de tentar. E quando o líder sente que precisa repetir tudo, que ninguém executa como deveria, que é mais fácil fazer do que explicar, ele começa a centralizar. Assume mais do que deveria, para de delegar. E o que era um problema de comunicação vira um problema de cultura. Esse é o ciclo que o desalinhamento cria quando não é reconhecido e trabalhado. O que é a Comunicação AA e por que ela muda esse ciclo A Comunicação AA, que desenvolvo com líderes, é uma abordagem que une duas dimensões que a liderança muitas vezes trata como opostas: o afetivo e o assertivo. Comunicação afetiva é aquela que considera quem está do outro lado. Que leva em conta o contexto emocional da pessoa, o momento que ela está vivendo, o que ela precisa sentir para conseguir ouvir e processar o que está sendo dito. Não é comunicação emotiva, no sentido de deixar que a emoção conduza a mensagem sem direção. É comunicação que reconhece que toda mensagem passa por uma pessoa antes de chegar a uma tarefa. Comunicação assertiva é aquela que diz o que precisa ser dito com clareza, sem rodeios desnecessários, sem suavizar tanto que a mensagem perde força, sem endurecer tanto que a mensagem fecha quem deveria recebê-la. É comunicação que respeita o interlocutor o suficiente para ser direta. A maioria dos líderes opera em um dos dois extremos. Ou comunica de forma afetiva demais, onde a preocupação em não magoar dilui a mensagem até o ponto em que o colaborador não sabe exatamente o que é esperado dele. Ou comunica de forma assertiva demais, onde a clareza no conteúdo vem desacompanhada da consideração pela pessoa, e a mensagem chega certa no que diz, mas errada no como diz, gerando resistência em vez de alinhamento. A Comunicação AA une essas duas dimensões de forma intencional. Ela parte do princípio de que uma mensagem bem enviada é aquela que o receptor consegue ouvir, processar e transformar em ação. E isso exige tanto clareza quanto consideração. Se quiser aprofundar essa metodologia, acesse o Curso de Comunicação AA e conheça o que desenvolvo com líderes que querem transformar a qualidade da sua comunicação de forma prática e aplicada. Como o perfil comportamental impacta a comunicação Uma das ferramentas mais poderosas para fechar o gap entre intenção e impacto é o mapeamento de perfil comportamental da equipe. Pessoas com perfil Dominante preferem comunicações diretas,