Você já se perguntou o que diferencia CEOs que construem impérios daqueles que simplesmente ocupam cadeiras executivas? A resposta pode surpreender você: não é o MBA mais prestigioso, nem as hard skills mais refinadas. É algo muito mais sutil e poderoso.
Enquanto a maioria dos líderes ainda acredita que competência técnica é suficiente, CEOs de alta performance descobriram um segredo que transformou suas trajetórias: eles tratam soft skills não como “habilidades auxiliares”, mas como a base fundamental de sua liderança.
Em um mundo onde 77% das empresas acreditam que as habilidades sociais são tão importantes quanto as técnicas, existe uma diferença abissal entre simplesmente “ter” soft skills e utilizá-las estrategicamente para gerar resultados extraordinários.
Este artigo revela os cinco comportamentos que CEOs excepcionais adotam para transformar soft skills em vantagem competitiva – práticas que você pode implementar hoje, independentemente do seu cargo atual.
A revolução silenciosa na alta liderança
O fim da era do “comando e controle”
Nos últimos cinco anos, algo fundamental mudou no topo das organizações globais. A liderança que grita, a do comando e controle, ela morreu. Hoje a liderança é por influência, explica Mafoane Odara, líder em Recursos Humanos para América Latina na Meta.
Este não é apenas um movimento filosófico. É uma transformação baseada em resultados práticos. Existe uma probabilidade 1,9 vezes maior de ter performance financeira acima da mediana quando o time executivo trabalha junto em direção a uma visão comum.
O que os dados revelam sobre líderes excepcionais
Pesquisas recentes com executivos da S&P 500 e unicórnios mostram uma tendência surpreendente: o percentual de soft skills listado nos perfis de executivos aumentou 31% entre 2018 e 2023. As maiores ocorrências são apresentação, storytelling e pensamento estratégico.
Mais impressionante ainda: nos últimos cinco anos, aumentaram 12,6% as nomeações de altos executivos sem sequer um título de graduação. O mercado está priorizando competências comportamentais sobre credenciais tradicionais.
Os 5 comportamentos que CEOs de alta performance praticam (e a maioria ignora)
1. Eles transformam vulnerabilidade em autoridade
O que a maioria faz: Esconde fraquezas e projeta uma imagem de invencibilidade.
O que CEOs excepcionais fazem: Usam vulnerabilidade estratégica para construir confiança e acelerar resultados.
Denise Santos, CEO da Beneficência Portuguesa, exemplifica isso perfeitamente. Com um faturamento de R$ 2,1 bilhões e 7 mil funcionários, ela não hesita em admitir quando precisa aprender algo novo. Nos últimos dois anos, fez nada menos do que quatro cursos de extensão em Stanford, Harvard e Chicago Booth.
“Quando assumo que não sei algo e busco aprender publicamente, meu time se sente autorizado a fazer o mesmo. Isso acelera nosso crescimento coletivo”, explica a executiva.
Aplicação prática:
- Compartilhe seus processos de aprendizado com a equipe
- Admita erros rapidamente e explique o que está fazendo para corrigi-los
- Pergunte genuinamente: “O que vocês fariam no meu lugar?”
2. Eles cultivam “competência emocional estratégica”
O que a maioria faz: Tenta controlar emoções ou as ignora completamente.
O que CEOs excepcionais fazem: Desenvolvem consciência emocional como ferramenta de tomada de decisão.
Claudio Fernández-Aráoz, da Harvard Business School, é categórico: “QI te garante seu emprego, inteligência emocional garante sua promoção e a falta de inteligência emocional fará com que você seja demitido.”
Cristina Palmaka, presidente da SAP para América Latina e Caribe, descobriu isso através da corrida. “A corrida parece solitária, mas envolve muita gente… E dentro da corrida todo mundo é igual. Se você é CEO ou porteiro, tanto faz. Todos seguem a agenda comum do bem-estar.”
Como eles fazem na prática:
- Pausa estratégica: Antes de decisões importantes, fazem uma pergunta: “Como estou me sentindo agora e como isso pode afetar minha decisão?”
- Leitura de ambiente: Entram em reuniões focados primeiro no estado emocional da sala, depois no conteúdo
- Calibragem emocional: Ajustam seu tom e energia baseado no que a situação exige
3. Eles praticam “escuta competitiva”
O que a maioria faz: Escuta para responder ou confirmar suas próprias ideias.
O que CEOs excepcionais fazem: Escutam para descobrir oportunidades escondidas e identificar talentos latentes.
Gil van Delft, presidente do PageGroup, observa que profissionais com perfil atlético costumam apresentar maior disciplina e visão de planejamento. Mas como ele identifica isso? Através de uma escuta refinada durante entrevistas e reuniões.
A técnica da “escuta em camadas”:
- Camada 1: O que está sendo dito (conteúdo)
- Camada 2: Como está sendo dito (tom, energia, confiança)
- Camada 3: O que não está sendo dito (hesitações, omissões, linguagem corporal)
- Camada 4: Que oportunidades isso revela (potenciais, necessidades, soluções)
Caso real: Um CEO de tecnologia identificou seu futuro CTO não pela apresentação técnica, mas pela forma como ele fazia perguntas durante reuniões – sempre focado em como as soluções impactariam outros departamentos.
4. Eles constroem “redes de influência multidimensional”
O que a maioria faz: Foca no networking vertical (superiores e pares do setor).
O que CEOs excepcionais fazem: Criam conexões horizontais que geram insights únicos e oportunidades inesperadas.
Entre as mulheres, a diversidade de experiência profissional é ainda maior. 26,8% das executivas já trabalharam em outros setores, contra 24% entre os homens. Essa diversidade não é acidental – é estratégica.
As quatro dimensões da rede de um CEO excepcional:
- Ascendente: Mentores, investidores, board members
- Lateral: Pares de outros setores e funções
- Descendente: Talentos emergentes, futuros líderes
- Periférica: Especialistas em áreas aparentemente desconectadas
Exemplo prático: Rui Chammas, CEO da ISA CTEEP, combina conhecimento técnico em energia com insights de sustentabilidade, regulamentação e tecnologia. Essa visão multidisciplinar permite decisões mais robustas e antecipação de tendências.
5. Eles implementam “desenvolvimento distribuído”
O que a maioria faz: Investe no próprio desenvolvimento e depois “cascateia” para a equipe.
O que CEOs excepcionais fazem: Criam sistemas onde todos se desenvolvem simultaneamente, gerando um efeito multiplicador.
Denise Santos exemplifica isso na BP: “Hoje, 85% dos nossos 300 líderes estão engajados no programa que chamamos de JDL, sigla para Jornada de Desenvolvimento de Liderança.”
A estratégia de desenvolvimento distribuído:
- Aprendizado em pares: Líderes aprendem juntos, não em hierarquia
- Ensino reverso: Colaboradores mais jovens ensinam tecnologia e tendências para seniors
- Laboratórios de soft skills: Espaços seguros para praticar comunicação, negociação e resolução de conflitos
- Mentoria cruzada: Pessoas de diferentes áreas mentoram umas às outras

O framework “IMPACTO” para desenvolver soft skills estratégicas
Baseado na análise dos comportamentos de CEOs excepcionais, desenvolvemos um framework prático:
I – Intencionalidade
Defina quais soft skills são críticas para seus objetivos específicos. Não tente desenvolver tudo ao mesmo tempo.
M – Medição
Estabeleça métricas para soft skills. Sim, por meio de avaliações de feedback 360°, pesquisas de clima organizacional e análise de desempenho em cenários desafiadores.
P – Prática deliberada
Como atletas de elite, pratique soft skills com a mesma disciplina que dedicaria a habilidades técnicas.
A – Aplicação contextual
Teste novas habilidades em situações reais, mas controladas, antes de usar em momentos críticos.
C – Conectividade
Desenvolva soft skills que ampliem sua capacidade de conectar pessoas, ideias e oportunidades.
T – Transparência
Torne seu desenvolvimento visível para criar uma cultura de crescimento contínuo.
O – Otimização contínua
Refine constantemente baseado em feedback e resultados.
Soft skills como vantagem competitiva: casos reais
Caso 1: A negociação invisível
Um CEO de startup tech estava em uma rodada de investimento crítica. Durante a apresentação, percebeu que um dos investidores principais estava desengajado (soft skill: leitura de ambiente).
Em vez de continuar o pitch padrão, fez uma pausa e perguntou: “Sinto que algo não está conectando. Posso receber um feedback direto sobre suas preocupações?” (soft skill: vulnerabilidade estratégica).
O investidor revelou uma preocupação específica sobre escalabilidade que não estava no roteiro. O CEO ajustou a apresentação na hora, abordando diretamente a questão. Resultado: rodada fechada com condições 20% melhores que o esperado.
Caso 2: A transformação cultural através da comunicação
Uma CEO herdou uma empresa familiar com 40 anos de conflitos internos entre departamentos. Em vez de reestruturar imediatamente, ela passou três meses praticando “escuta competitiva” em cada área.
Descobriu que o problema real não era competição, mas falta de compreensão mútua sobre pressões específicas de cada departamento. Implementou “shadowing cruzado” – pessoas passavam um dia por mês em outras áreas.
Em seis meses, indicadores de colaboração aumentaram 40%, e a empresa superou metas anuais pela primeira vez em cinco anos.
Caso 3: A inovação através da diversidade de perspectivas
Um CEO de empresa de energia tradicionalmente conservadora queria acelerar inovação. Em vez de contratar consultores externos, ele aplicou “rede multidimensional”.
Começou a frequentar eventos de startups, arte e sustentabilidade. Trouxe insights dessas conversas para reuniões executivas, sempre creditando as fontes originais (soft skill: humildade + amplificação de outros).
Isso criou uma cultura onde trazer perspectivas externas era valorizado. Em 18 meses, a empresa lançou três soluções disruptivas que hoje representam 30% da receita.
Os erros fatais que destroem soft skills executivas
Erro 1: Tratar soft skills como “frosting no bolo”
Problema: Ver habilidades comportamentais como complemento agradável, não como fundação estratégica. Solução: Integre desenvolvimento de soft skills nas decisões de negócio, não apenas em programas de RH.
Erro 2: Confundir carisma com competência emocional
Problema: Acreditar que ser carismático é suficiente para liderar efetivamente. Solução: Desenvolva autoconsciência e regulação emocional, não apenas presença magnética.
Erro 3: Aplicar one-size-fits-all
Problema: Usar as mesmas soft skills em todos os contextos e com todas as pessoas. Solução: Desenvolva flexibilidade comportamental – adaptando estilo à situação e ao interlocutor.
Erro 4: Negligenciar o custo da autenticidade mal calibrada
Problema: Ser “autêntico” sem considerar o impacto nos outros ou nos resultados. Solução: Pratique autenticidade responsável – ser genuíno de forma que sirva ao propósito maior.
O futuro das soft skills na liderança executiva
Tendências emergentes que CEOs excepcionais já antecipam:
1. Inteligência artificial colaborativa Líderes precisarão desenvolver habilidades para trabalhar COM IA, não substituir ou ser substituídos por ela. Isso exige novas formas de comunicação e tomada de decisão.
2. Liderança distribuída global Com times cada vez mais remotos e diversos culturalmente, soft skills como adaptabilidade cultural e comunicação assíncrona se tornam críticas.
3. Sustentabilidade como soft skill A capacidade de integrar propósito e resultado, balanceando stakeholders múltiplos, será uma competência essencial.
4. Resiliência sistêmica Não apenas bouncing back, mas bouncing forward – usar crises como catalisadores de crescimento organizacional.
Para aprofundar estratégias específicas de desenvolvimento de comunicação assertiva, explore nosso conteúdo sobre como dar feedback eficaz.
O investimento que define carreiras
Por que soft skills são o melhor ROI para executivos
Mais de 80% dos CEOs continuaram a estudar após a primeira graduação, seja em formações stricto ou lato sensu. Esse comportamento reforça o papel do aprendizado ativo ao longo de toda a carreira.
Mas aqui está o insight crucial: os CEOs que se destacam não apenas estudam continuamente – eles estudam estrategicamente, priorizando competências que amplificam todas as outras habilidades.
A matemática é simples:
- Hard skills te qualificam para a função
- Soft skills determinam seu sucesso na função
- Soft skills estratégicas definem seu impacto além da função
Como começar: seu plano de 90 dias
Semanas 1-30: Diagnóstico e fundação
- Autoavaliação 360°: Peça feedback estruturado sobre suas soft skills para pelo menos 10 pessoas (superiores, pares, subordinados, clientes)
- Identificação de gaps críticos: Priorize as 2-3 habilidades que mais impactariam seus resultados atuais
- Estabelecimento de baseline: Defina métricas específicas para medir progresso
Semanas 31-60: Prática deliberada
- Implementação do framework IMPACTO: Comece com uma soft skill por vez
- Criação de laboratórios: Identifique situações de baixo risco para praticar novas habilidades
- Feedback loops: Estabeleça check-ins semanais sobre seu desenvolvimento
Semanas 61-90: Integração e amplificação
- Modelagem para outros: Torne seu desenvolvimento visível e inspire sua equipe
- Refinamento estratégico: Ajuste abordagem baseado em resultados iniciais
- Planejamento de continuidade: Defina próximos ciclos de desenvolvimento
Para desenvolver ainda mais sua inteligência emocional e habilidades de gestão humanizada, considere explorar estratégias de segurança emocional no trabalho.
Duas ferramentas que uso muito nas minhas mentorias e treinamentos de desenvolvimento de líderes são a Mandala do Gestor e a Autoavaliação com Autorresponsabilidade. Elas são ótimas para que o gestor entenda seu momento atual e dê o passo inicial para alcançar a alta performance como líder.
A verdade incômoda sobre liderança excepcional
Aqui está o que ninguém quer admitir: a diferença entre líderes medianos e excepcionais não está na inteligência, na experiência ou na sorte. Está na coragem de reconhecer que soft skills não são “soft” – são as habilidades mais difíceis de dominar e as mais impactantes quando dominadas.
“Se pensar em resumir a modernidade, eu diria que o nosso momento é complexidade. Para lidar com essa complexidade das situações e das relações que a gente tem, tem algumas habilidades muito importantes, não só para o presente, mas que guiarão as empresas para o futuro”, explica Mafoane Odara.
CEOs de alta performance entenderam isso antes da maioria. Eles investem em soft skills não porque é “nice to have”, mas porque é a única forma sustentável de criar impacto exponencial em um mundo cada vez mais complexo e interconectado.
Perguntas para reflexão
Antes de continuar sua jornada executiva, considere:
- Se você tivesse que perder todas as suas hard skills amanhã, suas soft skills ainda te levariam ao sucesso?
- Quantas das suas decisões importantes dos últimos 30 dias foram influenciadas por competência emocional?
- Sua equipe te vê como alguém que modela o desenvolvimento contínuo, ou como alguém que já “chegou lá”?
- Qual seria o impacto se você dominasse completamente apenas uma soft skill nos próximos 90 dias?
Conclusão: o poder invisível da liderança excepcional
No final, CEOs de alta performance descobriram um segredo paradoxal: quanto mais desenvolvem soft skills, mais “hard” se tornam seus resultados. Eles não tratam essas competências como um aspecto acessório de sua liderança, mas como o motor central que impulsiona tudo o mais.
A pergunta não é se você pode se dar ao luxo de investir em soft skills. A pergunta é: você pode se dar ao luxo de não investir?
Em um mundo onde a complexidade só aumenta e a velocidade de mudança acelera constantemente, líderes que dominam soft skills estratégicas não apenas sobrevivem – eles definem o futuro.
O momento de começar é agora. Porque enquanto você lê isso, CEOs excepcionais já estão praticando a próxima habilidade que os diferenciará ainda mais da multidão.
Sobre desenvolvimento executivo: Para aprofundar suas competências de liderança e soft skills estratégicas, explore nossos conteúdos especializados em desenvolvimento de líderes.
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Referências
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